sexta-feira, 5 de março de 2010


A Escola do Coração

O Lar, na essência, é Academia da Alma.
Dentro dele, todos os sentimentos funcionam por matérias educativas.
A responsabilidade governa.
A afeição inspira.
O dever obriga.
O trabalho soluciona.
A necessidade propõe.
A cooperação resolve.
O desafio provoca.
A bondade auxilia.
A ingratidão espanca.
O perdão purifica.
A doença corrige.
O cuidado preserva.
O egoísmo aprisiona.
A renúncia liberta.
A ilusão ensombra.
A dor ilumina.
A exigência destrói.
A humildade constrói.
A luta renova.
A experiência edifica.
Todas as disciplinas referentes ao aprimoramento do cérebro são facilmente encontradas nas universidades da Terra, mas a família é a Escola do Coração, erguendo entes amados à condição de professores do espírito.
E somente nela conseguimos compreender que as diversas posições afetivas que adotamos na esfera convencional, são apenas caminhos para a verdadeira fraternidade que nos irmana a todos no Amor Puro, em sagrada união, diante de Deus.

Emmanuel
Psicografado por Chico Xavier em 25.07.1960

domingo, 30 de novembro de 2008

Santa Catarina pede Socorro

A Natureza como fonte de vida é o esplendor máximo da obra divina e, por ser indecifrável, vem sempre desafiando o homem com suas surpresas.

No entanto, o belo que a Natureza nos mostra recebe pouca ou nenhuma atenção. O homem, considerando o seu estado evolutivo, pouco afeito à influencia benéfica produzida pelos fenômenos positivos que lhe são oferecidos, não lhe atribui o real significado.

Periodicamente, fenômenos são produzidos com tal violência e trágicas conseqüências que a Humanidade, abalada em seus sentimentos de preservação, fica aterrorizada. Guerras de tecnologia avançada fogem a qualquer raciocínio lógico. A coação irresistível que povos mais ricos impõem a povos mais pobres, leva populações inteiras ao desespero e a destruição. Enfim, fatos bárbaros que, atualmente, à razão já repugnam.

Não bastassem estes desastres produzidos pelos homens, ainda sofre a Humanidade a ação direta da Natureza que, numa fúria incontida, leva-nos a todos a sentir a nossa imensa fragilidade. É sem duvida constrangedor o que nos mostram os veículos de comunicação.

O estado de Santa Catarina, no Brasil, foi vitimado por intensas chuvas nas ultimas semanas, acarretando uma tragédia de imensas proporções, despertando comoção nacional e internacional. Quase total foi a destruição em diversas cidades. Os dramas vividos por familiares e amigos de pessoas soterradas nos deslizamentos, desabrigados retirados a força de suas casas, famílias inteiras para sempre marcadas, foram pungentes. Quanta dor, quanto desespero. Somos conduzidos, mais uma vez, a demonstrar a nossa solidariedade, ficando aqueles que nada podem fazer de concreto como ajuda, orando e rogando ao Senhor pelo sucesso das equipes de salvamento.

Entre pertences, casas, ruas, bairros e cidades destruídas, toda a imensa tragédia; de toda esta imensa dor, fica a lição da impotência do homem diante dos poderes da Natureza. É a prova da nossa fragilidade, e também da nossa capacidade de enfrentar com sucesso o que nos reserva a Vida.

O homem que cria com abundância os meios para se destruir, não consegue encontrar técnica capaz de descobrir os meios de enfrentar, com sucesso, as violências da Natureza.

Resta diante desses fatos, repensar nosso comportamento e procurar à nossa própria custa diminuir a nossa autodestruição. A ciência dos homens segue seu curso natural, sempre até o limite da vontade divina. É a Ele que cumpre ao homem voltar seus pensamentos e rogar que nos ofereça forças e raciocínio, e humildade diante de um poder maior.

Continuamos rogando para que sejam aliviadas as dores dos necessitados, e que possamos de nossa parte, auxiliar na medida do possível, continuando a enviar as doações necessárias neste momento de profunda comoção. Com a certeza de que do todo destruído, muito pode ser reconstruído, e que a força do ser humano, integrante da Natureza, seja a prova necessária do possível convívio harmonioso entre a vontade deste e as possibilidades limitadas do Planeta em que estagiamos.

Texto adaptado do livro “Coragem do Testemunho”
de Sérgio Lourenço [1987, edições CULTURESP]

segunda-feira, 8 de setembro de 2008

O Espírito de Verdade I


Venho instruir e consolar. Venho lhes dizer que elevem a sua resignação à altura de suas provas. Que chorem, pois a dor foi sagrada no Jardim das Oliveiras, e que esperem, pois também os anjos consoladores virão enxugar suas lágrimas.

Irmãos, traçai vosso sulco; recomeçai no dia seguinte a jornada da véspera. O trabalho de vossas mãos fornece o pão terreno a vossos corpos. Vossas almas porém, não estão esquecidas; e eu, o divino jardineiro, cultivo-as no silêncio de vossos pensamentos. Quando soar a hora do repouso, e a trama da vida escapar de vossas mãos e os vossos olhos se fecharem à luz, sentireis que surge e germina em vós minha preciosa semente. Nada está perdido no reino do nosso Pai, e vossos suores formam o tesouro que vos tornará ricos nas esferas superiores, onde a luz substitui as trevas e o mais desprovido dentre vós todos será, talvez, o mais resplandecente.

Em verdade vos digo: aqueles que carregam seus fardos e que assistem os seus irmãos são meus bem-amados. Instruí-vos na preciosa doutrina que dissipa o erro das revoltas e mostra o objetivo sublime da provação humana. Assim como o vento varre a poeira, que também o sopro dos Espíritos dissipe os vossos despeitos contra os ricos do mundo que são, não raro, muito miseráveis, pois se acham sujeitos a provas mais perigosas do que as vossas. Estou convosco e meu apóstolo vos instrui. Bebei da fonte viva do amor e preparai-vos, cativos da vida, para lançar-vos um dia, livres e alegres, no seio d’Aquele que vos criou simples e ignorantes para que vos tornem perfeitos, modelando a vossa maleável argila, a fim de serdes os artesãos de vossa própria imortalidade.

O Espírito de Verdade - Paris, 1861
de O Evangelho Segundo o Espiritismo, organizado por Allan Kardec
Capítulo 6, item 6.

sábado, 30 de junho de 2007

Alice Aguiar Fontes


Faleceu no dia 28 de Junho de 2007, em Curitiba, Paraná, minha querida avó Alice Aguiar Fontes, nascida no dia 27 de Setembro de 1916 em São Paulo. Ela nos deixou em casa, cercada dos cuidados e do carinho de suas quatro filhas. Havia completado 91 anos e pôde nos últimos anos e meses, lúcida e ativa, desfrutar da companhia e do amor de sua família.

Filha de Antonio Vieira de Aguiar e Julia Benedita Vieira de Aguiar, a vovó Alice casou-se com Nicanor de Mattos Fontes no início dos anos 1940. A primeira filha do casal, minha mãe, nasceu em 1945. Eles tiveram ainda mais três filhas, e também ajudaram, sempre com muito carinho, na criação dos dez netos, sendo que vovó ainda pode conhecer seus oito bisnetos.

Lembro-me de às tardes, quando nos meus quatro ou cinco anos de idade, sentava com vovó Alice na janela da lavanderia de seu apartamento - era a que tinha a melhor vista - e lá assistirmos a revoada das andorinhas que voltavam aos ninhos nas muitas árvores das ruas próximas ao centro da cidade de Campinas, São Paulo. O espetáculo ao pôr-do-sol era sempre acompanhado pela deliciosa banana amassada com aveia e pela música vinda do pequeno radinho, sintonizado todos os dias na mesma estação. Às exatas 18:00 horas, soava a “Ave Maria” de Gounout, seguida pela oração acompanhada pelos ouvintes, e logo depois encerrando com o poema-música de Herivelto Martins “Ave Maria no Morro”.
Aquele era o momento fantástico do dia, os desenhos que decifrávamos no céu a cada revoada, a luz avermelhada permeando o momento mágico da prece, as músicas acompanhadas pela fé de minha avó. A impressão que eu tinha era que “mundo inteiro, no fim do dia” se sentia como nós dois, ali naquela janela, rezando a “Ave Maria”.

Nossa família agradece a Deus, o amor e o tempo em que pudemos desfrutar de sua presença entre nós.
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Alice Aguiar Fontes
* 27.09.1916
+ 28.06.2007