A Natureza como fonte de vida é o esplendor máximo da obra divina e, por ser indecifrável, vem sempre desafiando o homem com suas surpresas.
No entanto, o belo que a Natureza nos mostra recebe pouca ou nenhuma atenção. O homem, considerando o seu estado evolutivo, pouco afeito à influencia benéfica produzida pelos fenômenos positivos que lhe são oferecidos, não lhe atribui o real significado.
Periodicamente, fenômenos são produzidos com tal violência e trágicas conseqüências que a Humanidade, abalada em seus sentimentos de preservação, fica aterrorizada. Guerras de tecnologia avançada fogem a qualquer raciocínio lógico. A coação irresistível que povos mais ricos impõem a povos mais pobres, leva populações inteiras ao desespero e a destruição. Enfim, fatos bárbaros que, atualmente, à razão já repugnam.
Não bastassem estes desastres produzidos pelos homens, ainda sofre a Humanidade a ação direta da Natureza que, numa fúria incontida, leva-nos a todos a sentir a nossa imensa fragilidade. É sem duvida constrangedor o que nos mostram os veículos de comunicação.
O estado de Santa Catarina, no Brasil, foi vitimado por intensas chuvas nas ultimas semanas, acarretando uma tragédia de imensas proporções, despertando comoção nacional e internacional. Quase total foi a destruição em diversas cidades. Os dramas vividos por familiares e amigos de pessoas soterradas nos deslizamentos, desabrigados retirados a força de suas casas, famílias inteiras para sempre marcadas, foram pungentes. Quanta dor, quanto desespero. Somos conduzidos, mais uma vez, a demonstrar a nossa solidariedade, ficando aqueles que nada podem fazer de concreto como ajuda, orando e rogando ao Senhor pelo sucesso das equipes de salvamento.
Entre pertences, casas, ruas, bairros e cidades destruídas, toda a imensa tragédia; de toda esta imensa dor, fica a lição da impotência do homem diante dos poderes da Natureza. É a prova da nossa fragilidade, e também da nossa capacidade de enfrentar com sucesso o que nos reserva a Vida.
O homem que cria com abundância os meios para se destruir, não consegue encontrar técnica capaz de descobrir os meios de enfrentar, com sucesso, as violências da Natureza.
Resta diante desses fatos, repensar nosso comportamento e procurar à nossa própria custa diminuir a nossa autodestruição. A ciência dos homens segue seu curso natural, sempre até o limite da vontade divina. É a Ele que cumpre ao homem voltar seus pensamentos e rogar que nos ofereça forças e raciocínio, e humildade diante de um poder maior.
Continuamos rogando para que sejam aliviadas as dores dos necessitados, e que possamos de nossa parte, auxiliar na medida do possível, continuando a enviar as doações necessárias neste momento de profunda comoção. Com a certeza de que do todo destruído, muito pode ser reconstruído, e que a força do ser humano, integrante da Natureza, seja a prova necessária do possível convívio harmonioso entre a vontade deste e as possibilidades limitadas do Planeta em que estagiamos.
Texto adaptado do livro “Coragem do Testemunho”
de Sérgio Lourenço [1987, edições CULTURESP]




